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Retrato de Mayara Portela
Mayara Portela, colunista do KG Club

Arquitetura e patrimônio

O valor de um imóvel também se projeta

Como a arquitetura conecta espaço, negócios e patrimônio.

Por Mayara Portela3 min de leitura

Ao avaliar um imóvel, é natural olhar para localização, metragem e preço. Mas existe uma pergunta que merece o mesmo espaço nessa análise: o que este lugar permite construir, além de paredes?

Para quem compra com a intenção de investir, essa pergunta tem uma consequência prática: o que fará outra pessoa desejar esse imóvel no futuro?

Dois apartamentos com metragens semelhantes, na mesma região, podem despertar impressões muito diferentes. Em um, os ambientes parecem difíceis de aproveitar. No outro, a luz, a distribuição e a proporção dos espaços permitem imaginar a vida acontecendo ali.

O que este lugar permite construir, além de paredes?

Essa capacidade de despertar interesse faz parte da contribuição da arquitetura para o patrimônio. Um projeto bem pensado pode tornar as qualidades do imóvel mais evidentes e ajudar o futuro comprador a reconhecer seu valor.

Para quem compra um imóvel para vender ou alugar, o projeto pode revelar uma oportunidade de valorização. O investidor adquire o espaço nas condições atuais, mas precisa compreender o que ele poderá oferecer depois de uma transformação, e quanto custará chegar até lá.

Uma planta mais funcional, ambientes versáteis e soluções coerentes com o público pretendido podem tornar o imóvel mais competitivo. São melhorias que podem fortalecer o preço pedido e favorecer a comercialização ou a locação, conforme a demanda e as condições do mercado.

É nesse sentido que a arquitetura também vende: ela cria qualidades que o comprador ou locatário reconhece e pelas quais pode estar disposto a pagar.

Mas o resultado financeiro depende também de quanto se investe para produzir esse valor. Uma reforma cara pode comprometer a margem de uma venda, uma escolha de difícil manutenção pode aumentar as despesas de um imóvel alugado, um acabamento sofisticado pode consumir recursos sem representar um benefício relevante para aquele público. Por isso, projetar estrategicamente exige olhar para a conta inteira: aquisição, intervenção, manutenção e potencial de receita.

Na minha atuação há mais de dez anos em diferentes segmentos da arquitetura, esse olhar orienta as escolhas. Antes de definir o que transformar, é preciso entender o objetivo do proprietário:

  • Ampliar a capacidade de atendimento da empresa?
  • Melhorar a experiência do cliente?
  • Preparar um imóvel para locação?
  • Reformar para revender?

A resposta muda o projeto e a maneira de distribuir o orçamento. Em alguns casos, reorganizar os ambientes é a prioridade, em outros, preservar o que está em boas condições e corrigir limitações específicas pode ser a decisão mais vantajosa.

A arquitetura contribui para o resultado quando aproxima três fatores: o que o público valoriza, o que o imóvel permite e o que faz sentido investir. Localização, preço e mercado continuam determinantes. Dentro desse cenário, o projeto pode ajudar o proprietário a desenvolver um patrimônio mais atrativo e uma operação mais eficiente.

Para quem investe, a pergunta deixa de ser apenas “quanto custa reformar?” e passa a incluir “como essa transformação pode contribuir para o meu resultado?”.

Porque a metragem informa quanto espaço existe, já a arquitetura ajuda a transformar esse espaço em valor percebido e em oportunidade de receita.

Mayara PortelaArquiteta, especialista em arquitetura da saúde e neuroarquitetura. Cofundadora da Plaam Arquitetura.