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Retrato de Victoria Fernandes

Marketing e patrimônio

O patrimônio que ajudo a construir não é meu

Planejar o futuro também deve significar criar condições para viver bem o presente.

Por Victoria Fernandes3 min de leitura

Em um mercado que valoriza resultados imediatos, falar sobre construção patrimonial exige uma mudança de perspectiva. Mais do que conquistar renda, adquirir bens ou ampliar o próprio patrimônio, é preciso compreender quais escolhas sustentam os objetivos que desejamos alcançar ao longo da vida.

Minha trajetória profissional me permitiu observar essa questão por diferentes ângulos. Trabalhei com vendas dentro de administradoras de consórcio, como Embracon e Porto Seguro, e conheci de perto o funcionamento do sistema e as possibilidades que ele oferece. Também vivi o produto como consumidora, o que ampliou minha compreensão sobre as decisões, as expectativas e a responsabilidade envolvidas nesse tipo de planejamento.

Essa combinação me fez enxergar o consórcio para além da aquisição de um bem. Quando utilizado de forma consciente e alinhado à realidade financeira de cada pessoa, ele pode ser uma ferramenta de planejamento patrimonial. Não se trata de uma solução universal, nem de uma promessa de resultado imediato, mas de uma alternativa que merece ser compreendida dentro de uma estratégia de longo prazo.

Essa experiência também mudou a forma como vejo o marketing e a comunicação. Não acredito que o papel de uma marca se limite a despertar o desejo por um produto. Existe uma responsabilidade em informar, contextualizar e ajudar o público a compreender aquilo que está escolhendo. Em decisões financeiras, essa responsabilidade pesa ainda mais, porque envolve compromissos que podem acompanhar uma pessoa por muitos anos.

Como profissional de Marketing e estudante de Jornalismo, encontro nessas duas áreas uma combinação que considero essencial: saber comunicar valor e, ao mesmo tempo, questionar, investigar e oferecer contexto. Para mim, comunicação relevante não é a que convence a qualquer custo, e sim a que permite que as pessoas tomem decisões mais conscientes.

Foi a partir dessa visão que passei a valorizar cada vez mais as experiências e o tempo de qualidade. À frente do KG Club, tenho a oportunidade de reunir pessoas, promover encontros e criar momentos que vão além da rotina profissional. Construir patrimônio e desfrutar da vida não precisam ser objetivos opostos. Planejar o futuro também deve significar criar condições para viver bem o presente.

O patrimônio de outras pessoas não é meu, mas contribuir para que elas construam o próprio patrimônio é parte do meu propósito.

Afinal, de que adianta construir algo para o amanhã sem considerar a vida que estamos vivendo hoje? E como aproveitar o presente sem pensar nas escolhas que podem nos dar mais possibilidades no futuro?

Para mim, a construção patrimonial está justamente nesse equilíbrio. Envolve planejamento, responsabilidade e visão de longo prazo, mas também liberdade para fazer escolhas, compartilhar experiências e dedicar tempo ao que realmente importa.

É essa perspectiva que procuro levar para o meu trabalho: unir informação, estratégia e experiência para mostrar que construir patrimônio não precisa ser apenas acumular bens. Pode ser também ampliar possibilidades e construir, com intenção, a vida que desejamos viver.

Victoria FernandesGraduada em Marketing, diretora de Marketing na Lufema, estudante de Jornalismo e CEO do KG Club.