Eu comecei do lado de lá da mesa
Eu tinha 16 anos quando comecei a trabalhar. Nessa idade, a maioria dos meus amigos ainda pensava no que ia fazer da vida. Eu já estava aprendendo a lidar com dinheiro. Na época, o dinheiro era dos outros.
Por Jeferson Gonçalves
Eu tinha 16 anos quando comecei a trabalhar. Nessa idade, a maioria dos meus amigos ainda pensava no que ia fazer da vida. Eu já estava aprendendo a lidar com dinheiro. Na época, o dinheiro era dos outros.
O banco foi a minha faculdade de verdade. Passei pelo Real, pelo Santander e pelo Itaú. Vi de perto como funciona o outro lado da mesa: quem recebe crédito, quem recebe um "não" e por quê.
Atendi muitos empresários ao longo desses anos. Alguns chegavam organizados, com números na mão. Outros chegavam desesperados, precisando do dinheiro para ontem. Os dois tinham empresas boas. Mas só um deles saía da reunião com o que tinha ido buscar.
Aquilo me incomodava. Eu sabia que muitos ficavam sem crédito não porque a empresa era ruim, mas porque ninguém tinha mostrado a eles como o banco pensa.
Um dia decidi mudar de lado.
Sair do banco não foi simples. Trocar a estabilidade de uma carreira construída em grandes instituições pela incerteza de empreender exige coragem e algum grau de teimosia. Fundei a Agora Hub para conectar empresários e pessoas físicas a soluções de crédito. Em 2022, assumi a Consil Cont, um escritório de contabilidade com história própria. Assumir algo que já existe, com clientes, equipe e cultura, ensina humildade rápido.
Ninguém deveria descobrir como o banco pensa só no dia em que precisa dele.
Depois veio a Contas Perfeitas, um BPO financeiro para pequenas e médias empresas. Em 2026, juntamos tudo no Grupo Controle Agora.
Hoje atendemos mais de 1.000 clientes recorrentes. Na área de crédito, em seis anos de operação, mais de 2.000 clientes já passaram por nós, nas mais diversas modalidades de crédito.
Mas números assim não contam a história inteira. Cada um desses clientes chegou com uma dúvida, um problema ou um plano. Muitos estavam exatamente onde eu via tantos empresários nos tempos de banco: com uma boa empresa nas mãos e sem saber como mostrar isso.
Olhando para trás, percebo que nunca deixei o banco totalmente. Eu só passei a usar o que aprendi lá a favor do empresário. Hoje sento ao lado dele, não na frente.
Foi daí que nasceu o "Contador Bancário". Não é só um nome de perfil. É a forma como eu enxergo os números: com o olhar do contador, que organiza, e com o olhar do banco, que avalia risco. Junto disso, carrego a experiência de quem também é empresário e sabe como é tomar decisão com o caixa apertado.
Se tem uma coisa que esses mais de 20 anos me ensinaram, é que ninguém deveria descobrir como o banco pensa só no dia em que precisa dele.
Eu descobri cedo, aos 16. Agora o meu trabalho é encurtar esse caminho para quem está começando.

